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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

PESCARIA



  
PESCARIA

(Luiz Henrique Prieto)



Todas as manhãs, bem cedinho, o pescador pega o seu barco e ruma para alto-mar.
Dentro do barco, além da rede de pesca, há um grande estoque de FÉ e ESPERANÇA.
Ao chegar a determinado local, o pescador lança sua rede ao mar, sem saber ao certo, o que vai pescar.
Tem dia que a pesca é boa.
Tem dia que nem tanto.
Porém, diariamente, o pescador confere a sua rede, efetuando alguns ajustes e reparos.
Ele sabe que, caso a rede não esteja em boas condições, de nada vai adiantar lançá-la, ainda que seja sobre um enorme cardume.
Outro fato importante: ele sabe que, se lançar a rede, repetidas vezes, sobre o mesmo local, mais cedo ou mais tarde, não pescará nada, dada a escassez de recursos.
De pé, em seu barco, equilibrando o corpo frágil, fustigado pelo sol, sabiamente lança a rede bem cuidada a esmo, alcançando a maior distância possível, pois sabe que assim aumentará as suas possibilidades.
Pacientemente aguarda, até que os peixes mordam a isca.
O resultado da pesca vai depender da sabedoria, da habilidade, da paciência e da perseverança.
Claro que vão surgir contratempos!
Mas, se diante das intempéries, o pescador decidir não lançar a sua rede, não haverá pescaria.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

ÉTICA, MORALIDADE E EVOLUÇÃO ESPIRITUAL





Há muita energia negativa circulando por aí!

Cada vez mais, chegam até nós, coisas negativas, assombrosas, assustadoras!

Notícias de estupros, homicídios causados por motivos banais, assassinatos em série, guerras civis, êxodo humano, fome, miséria, escassez...

A maldade humana parece crescer assustadoramente, numa escalada vertiginosa!

Os meios utilizados para termos acesso a toda essa maldade são os mais diversos: noticiários na televisão e no rádio, divulgação nas redes sociais, WhatsApp, portais de notícias, comentários maldosos e por aí vai...

Recebemos a informação, julgamos, condenamos, quase que imediatamente (recomendo pesquisarem sobre “O Caso Escola da Base”).

ÉTICA é tudo aquilo que se faz, do ponto de vista justo e correto, principalmente quando ninguém está observando!

De nada adianta ser “santo” na frente dos outros, mas, no seu íntimo, processar pensamentos nefastos!

É na intimidade do silêncio dos nossos pensamentos que demonstramos realmente quem somos!

Sim, é possível ludibriar e encantar as pessoas, com um comportamento exemplar, boas palavras e alguma encenação.

Ah, mas enganar a espiritualidade?

Isso é impossível!

Ainda não inventaram uma maneira de mascarar os pensamentos!

MORALIDADE – Relembrando da passagem do fariseu, quando Cristo diz que: “- De nada adianta limpar o copo por fora e manter o interior imundo!”, podemos dizer que, de nada vale apresentar um aspecto limpo e cheiroso, a boca perfumada se os pensamentos emanam apenas podridão!

Pior ainda: a imundície da alma se faz presente na intimidade!

Quando você aponta um dedo, acusando alguém, três outros apontam em sua direção!

Tá duvidando?

Faça o teste, é bem simples: aponte o dedo indicador e perceba que o médio, o anelar e o mindinho apontam em sua direção!

Quem é o santo, quem é o pecador?

Aquele que erra, mas tem se esforçado para melhorar, é bem mais santo que aquele que o condena!

“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar as suas inclinações.” – Allan Kardec

EVOLUÇÃO ESPIRITUAL – VÍCIOS - Existem, no mínimo, duas maneiras de cortar os vícios:

1ª – A mais radical: cortar, de uma só vez, o mal pela raiz!

2ª – A mais demorada: cortar aos poucos!

Romper, de uma só vez, com um vício, pode ser complicado, traumático, doloroso.

Tomemos, como exemplo, o caso de um fumante, que decide abandonar o vício do cigarro.

O organismo do fumante está tomado pela nicotina, impregnado de pequenos vícios.

Quem fuma, usa o cigarro para aliviar as tensões, reduzir o stress, espantar o frio, aliviar o calor, ou mesmo, porque não tem nada para fazer.

Quando corta o cigarro da noite pro dia, sente falta!

O organismo grita!

Dor de cabeça, irritação, insônia, mau humor...

Então o fumante substitui o cigarro pelo café, pelos chicletes, ou por qualquer outra coisa que lhe cause uma sensação de bem estar.

Perceberam?

SUBSTITUI e não ELIMINA!

Ou seja, troca seis por meia dúzia!

Quando o “corte” é paulatino, ocorrendo gradualmente, o organismo vai se desintoxicando e, devagarinho, vai se acostumando a não depender mais das coisas tóxicas.

Paralelamente, o cérebro vai processando a informação de que não mais precisa de toxinas para produzir sensações.

Assim, os vícios morais, e destaco aqui os capitais: ORGULHO e EGOÍSMO, devem ser combatidos aos poucos, bem devagarinho, como na filosofia dos Alcoólicos Anônimos: “Por hoje não!”

Abrindo um parêntese...

Do Orgulho e do Egoísmo, derivam os demais vícios morais:

• AVAREZA: Apego exagerado ao dinheiro e aos objetos materiais.

• CIÚME: Estado de intranqüilidade em decorrência do medo de perder o que tem.

• CULPA NEURÓTICA: Emoção destrutiva e estática de auto-cobrança diante de um erro sem nada fazer para repará-lo.

• IMPACIÊNCIA: Pouca capacidade de esperar.

• INTOLERÂNCIA: Pouca capacidade de aceitar ou conviver com o defeito dos outros.

• INVEJA: Desgosto ante a prosperidade e o sucesso de outrem ou desejo de possuir ou gozar algum bem que outrem possua ou desfrute.

• MÁGOA: Ausência do perdão.

• MALEDICÊNCIA OU CALÚNIA: Uso inadequado na conversação oral ou escrita com o fim de depreciar ou reduzir a importância de outrem.

• MELINDRE: Capacidade de se ofender ou irritar com as mínimas coisas.

• NEGLIGÊNCIA: Descuido com as próprias obrigações.

• PERSONALISMO: Conduta daquele que refere a si próprio.

• PREGUIÇA: Pouca disposição para o trabalho.

• VAIDADE: Desejo de merecer a aprovação dos outros e de se destacar.

• VINGANÇA: Desejo de ir à forra.

Cabe a nós, espíritas ou não, trabalharmos diuturnamente para minar a existência dessas toxinas e, por fim, nos libertarmos!

“Tenho tantos pecados, que não tenho o direito de pedir nenhuma graça!”

Não temos o direito e nem moral para julgarmos qualquer pessoa, seja qual for, o erro que cometeu!

Compete a nós, acolher, escutar, aconselhar e jamais dar lição de moral!

Quem é você, para julgar seus próprios pecados?

Quem é você, para se condenar?

Quem é você, para achar que não é digno de compaixão?

Quem é você, para achar que não tem direito a uma nova chance?

“Dentro de mim, habitam dois cachorros, em constante luta.
Um é bom e dócil.
O outro, cruel e feroz.
Vencerá a batalha aquele que eu alimentar diariamente.”

“Desafie-se a pensar que Deus ainda acredita em você.
E se ele ainda acredita...
Quem sou eu prá duvidar agora?” –
Padre Fábio de Melo


(Mensagem psicografada por Luiz Henrique Prieto, em 30/09/15, à exceção das definições sobre os vícios morais, extraídas do portal www.redeamigoespirita.com.br)










segunda-feira, 15 de junho de 2015

CHUVA



Luiz Henrique Prieto




 
Semana passada, fomos surpreendidos com a forte chuva que caiu, inesperadamente, em Belo Horizonte.

Salvo engano, em menos de quatro horas, choveu o dobro da média esperada para o mês de maio!

Situação chata, né?

Trânsito congestionado, veículos lentos, motoristas mais cautelosos...

Muitas pessoas mudaram os seus planos, desmarcando compromissos e indo direto prá casa.

Também, né?

Quem é que não quer voltar para a segurança do lar, ficar sequinho e aquecido?

Curiosamente, na época de chuvas, ficamos realmente mais cautelosos.

Dirigimos devagar, caminhamos com mais atenção, verificamos se a sombrinha está dentro da bolsa (quando necessário, reformamos aquela velha sombrinha de estimação! Aquelas sim, resistem a qualquer pé d’água!), calçamos botas, enfim...

O problema é que, sempre que cai uma inesperada chuva torrencial, ou quando chega o período chuvoso, é que nos lembramos daquela telha quebrada que não trocamos nunca, daquela velha infiltração que sempre aparece em tempos molhados e por aí vai.

Porque durante o verão, em tempos de sol a pino, nem nos lembramos desses inconvenientes!

Então...

Na vida, também é assim!

Quando estamos numa boa, andando livremente prá lá e prá cá, ficamos despreocupados!

No verão, então, nem se fala!

Andamos até mais leves, alegres e sorridentes...

As pessoas são ou não são mais leves no verão?

Mas aí...

Vem um temporal inesperado e avacalha a nossa vida, bagunçando tudo!

O que tentamos fazer?

Corremos prá casa, prá segurança do lar!

Mas, lá chegando, damos de cara com as goteiras, dentro de casa, causadas pelas telhas quebradas que ainda não trocamos, tirando o nosso sossego!

Quando entramos no período chuvoso, aí é que a coisa complica de vez!

As infiltrações reaparecem, o mofo toma conta das paredes e, conseqüentemente, os espirros, a bronquite, a asma, a tosse alérgica...

Minha gente, vamos ter o cuidado de, em tempos secos e seguros, verificar em que estado se encontram as telhas da nossa Fé!

Se necessário, fortaleçam os telhados, façam rebocos mais consistentes nas paredes, cuidem das suas “casas”, mantendo-as sempre sequinhas e seguras!

Se começarmos, em tempo de bonança, a ter os mesmos cuidados que temos em tempos sombrios, não seremos surpreendidos por um temporal inesperado, muito menos importunados por qualquer período chuvoso que  venha a insistir em infiltrar más intenções em nossas vidas.

Logo após o aguaceiro, ou mesmo após um breve chuvisco, o sol volta a dar o ar da graça!. 

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

SÍNDROME DE ESTOCOLMO (OU PORQUE ME PRENDO A VOCÊ)



(by Luiz Henrique Prieto)

A "Síndrome de Estocolmo" é caracterizada por um tipo de afeto que o sequestrado desenvolve pelo sequestrador.

Algoz e vítima.
Caça e caçador.

Quantas vezes insistimos em manter por perto aquela pessoa que nos fez mal, que nos machucou, que sequestrou os nossos sentimentos e as nossas emoções?

Qual a necessidade real disso tudo?
Dizem que o ódio é uma forma estranha de amar.
E, na maioria das vezes, esse "ódio" brota no término de um relacionamento mal sucedido.

Geralmente, quando uma das partes sai "prejudicada".

O primeiro sentimento que vem é o de raiva.
Em seguida, a gente começa a colocar defeitos no outrora "objeto do desejo".

Mas, espera aí...

Até agora há pouco ele não era "a melhor coisa que te aconteceu"?

E tome maledicências a respeito das novas "amigas", das "periguetes" sorrindo nas fotos ao lado dele, da suposta alegria que ele parece emanar, mesmo não estando ao seu lado.


A próxima etapa é o autoflagelo.

"A culpa é minha!"
"Eu é que não soube segurar a relação."
"E se eu tivesse feito diferente?"
"E se eu tivese sido mais tolerante?"

E entre tantos "e se", a dúvida brota na sua cabeça.


Afinal, de quem foi a culpa?


Sei lá, uai!


Mas é aí que entra a "Síndrome de Estocolmo".


Você começa a vigiar, meio "sem querer", as postagens dele.

Vira e mexe se pega olhando atualizações de status, fotos, etc.
Isso quando não faz amizade com as pessoas que estão próximas dele, apenas e tão somente para saber a quantas anda a vida do sujeito.
Passa e repassa os SMS trocados quando tudo estava azul.
E desenvolve, sim, um sentimento inexplicável em relação a esse carrasco que insiste em estraçalhar o seu coração.

Mesmo não querendo, a tentação de saber o que se passa com o "cretino" é maior que a sua força de vontade.

Solução?

Matar o sequestrador!
Matar bem matadinho, enterrar bem enterradinho, mandar pro quinto dos infernos!

Sim!

Mas só no sentido figurado, ok?
Nada de violência!

Então, vamos lá...

Desfaça a "amizade" nas redes sociais.
Pare de seguir qualquer perfil que o bendito tenha por aí.
Apague os famosos SMS.
Limpe o histórico do WhatsApp.
Fotos?
NEM PENSAR!
Suma com toda e qualquer evidência que te faça lembrar.


Com certeza, você vai relutar em adotar as dicas acima, mas faça um esforcinho.


Sei que, em algum momento, você vai insistir em manter a "Síndrome de Estocolmo" em evidência, lembrando somente dos momentos bons.


Mas, lembre-se:

Defunto bom, é defunto MORTO!

E enterrado!


Enterre.


Viva seu luto.


E renasça prá vida! 

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

EU ME BASTO



(by Paula Carolina)

Hoje li uma frase muito interessante.
Falava sobre mãe, mais especificamente, mãe solteira.
E fazia o seguinte questionamento: 
"Porque não se bastar?!" 
Narrando várias situações vivenciadas por nós, para, posteriormente, mais uma vez perguntar: 
"Em qual dessas você NÃO se encaixa?!" 
Fiquei muito feliz porque eu me encaixo em todas as citadas e muitas outras! 
EU me basto!!! 

Reunião de pais, 

...material, 
...uniforme, 
...matricula, 
...ordens, 
...carinhos, 
...cuidados, 
...castigos, 
...comidas, 
...doces, 
...bolos, 
...doenças, 
...inúmeras idas ao médico, 
...farmácia, 
...olheiras, 
...noites mal dormidas, 
...atrasos no serviço por um tombo, uma garganta inflamada, um simples controle, 
...banhos de dois minutos, 
...comer fazendo N coisas...

Brincadeiras? 1.000 !!!


...proteger qdo ta com "me-medo",

...corrigir qdo um bate no outro, 
...incentivar a amizade dos dois...enfim.

Sair pra balada?! 

Que nada! 
Bora pro circo, pro parque, pra praça!

(Paula Carolina é a super-mãe dos gêmeos Gabriel e Gustavo)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

SOBRE ESCOLHAS E CONSEQÜÊNCIAS

(by Padre Fábio de Melo)

Será que as conseqüências de nossas escolhas de agora, num futuro próximo, poderão doer no coração dos que amamos?

Chegará o momento em que não nos restará muita coisa.

Mais cedo ou mais tarde a vida nos cobrará.

As escolhas de hoje repercutirão em breve neste tempo que costumamos chamar futuro.

É impossível não sofrer com as conseqüências de tudo o que escolhemos.

Escolhas são como sementes.

O que plantamos hoje será fruto amanhã.

A qualidade do fruto depende do que semeamos.

Não há milagre que possa reverter o que foi semeado.

Se as sementes plantadas eram de limão, não espere colher laranjas.

É a regra da vida.

É dura, eu sei, mas é a lei. Se você plantou limão não adianta ficar pedindo a Deus a graça de colher laranjas.

Não há honestidade nesse pedido!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

ALMAS, ESPÍRITOS E GAVETAS

(por Luiz Henrique Prieto)

Nem sempre, é necessário ter um diploma universitário, participar de dezenas de palestras ou ler uma centena de livros de auto-ajuda para aconselhar alguém.

Basta ter sensibilidade, se propor a ser bom ouvinte e, principalmente, encher a boca d’água e bochechar umas duzentas vezes antes de dar o veredicto.

Digo isso porque muita gente por aí gasta tubos de dinheiro em psicanalistas, tratamentos à base de remédios fortíssimos, etc., etc.

Longe de mim desmerecer o trabalho desses profissionais.
Aliás, quem sou eu para contrariar a famosa frase: “Freud explica”.

Como nem todo mundo tem grana, tempo ou coragem de se abrir com um profissional, mesmo porque, soa meio informal, costumo bancar o travesseiro (não de travessuras, mas aquele no qual você coloca a cabeça e desaba prá valer).

E nessas horas, curiosamente surgem alguns conselhos que sei lá de onde tiro a inspiração.

Na verdade, sei sim, mas se disser, a meia dúzia de pessoas que visita o blog vão dar no pé rapidinho.

Depressão. Tristeza. Fundo do Poço. Escuridão total.

Assim se descreveu uma amiga.

Pior ainda: decidiu afastar-se das pessoas, com medo de feri-las com a sua negatividade, temendo encobri-las com a sua nuvenzinha negra.

Na primeira frase que digo, interrompendo o desabafo, ela decide se levantar e ir embora, em prantos.

Penso na besteira que fiz.

Não é nada legal interromper alguém que está falando, principalmente num momento de desabafo.

Reconsidero. Peço desculpas.

E tento deixar minha amiga à vontade, para que prossiga no seu “relato”.
Enquanto ouço, vou tomando vários goles d’água.

Nesse momento, é importantíssimo estar atento a cada palavra, cada soluço, ler as entrelinhas, preencher cada reticência.

E, num passe de mágica, surge o fio do novelo.
Talvez aquele que nos ajudará a desenrolar toda a trama.

Como é complicadíssimo falar em termos religiosos, afinal, cada qual tem a sua e respeito bastante essa individualidade, prefiro usar exemplos práticos, obviamente copiando um carpinteiro famoso, que falava ao seu povo por parábolas.

Nem sempre é aconselhável usar termos técnicos ou demasiadamente complicados.

Se a pessoa já está com a cabeça cheia, dificilmente vai absorver um pingo do que você diz.

Assim tento traduzir toda a confusão que se estabelece no interior daquela mulher, numa comparação simplória: gavetas desarrumadas!

Simples assim.

A nossa alma, ou espírito, assemelha-se a uma gaveta.

Já notou que muitas vezes você consegue perder coisas simples dentro de uma gaveta desorganizada?

Pares de meias se desfazem (e se transformam no “Mistério das Meias Desaparecidas”, tão bem descrito pelo Casseta Beto Silva em seu blog http://tvglobo.casseta.globo.com/beto-silva/), documentos se perdem, roupas sujas misturam-se a roupas limpas, fazendo um irrecusável convite para que traças, baratas e outros tantos insetos infames tornem-se hóspedes permanentes.

Pior ainda quando criamos o péssimo hábito de, toda vez que chegamos da rua, esvaziamos os bolsos na bendita gaveta.

“Ah, um dia eu arrumo.”

Só que, esse dia nunca chega.

A bagunça é tão grande, mas tão grande que, quando você precisa de um determinado documento, não consegue encontrá-lo, por mais que revire roupas e papéis (aumentando ainda mais a bagunça).

Resultado: frustração, mau-humor, decepção, irritabilidade e outros tantos sentimentos negativos.

Mas, não é desse jeitinho que o espírito (ou alma) se comporta?

Quantas e quantas vezes despejamos em nossa “gaveta”, “papéis” colhidos ao longo do dia?

Quantas e quantas vezes permitimos que as “roupas” fiquem desorganizadas dentro da “gaveta” e prometemos um dia arrumar?

Quantas vezes permitimos que estranhos insistam em desarrumar as “roupas” e “documentos” tão cuidadosamente organizados por nós?

Feito os mocinhos de filmes antigos, que viviam se afundando em areias-movediças, caímos na mesma armadilha, surgindo o seguinte dilema: “Se me debater, afundo mais rápido. Se ficar quietinho, demoro a afundar.”

Tão desesperado está você de tentar sair do lamaçal, que esquece o mais simples e óbvio:

Porque não gritar por socorro?

Não seria mais fácil pedir ajuda?

Mas é claro que sim!

Sozinho, você jamais conseguirá safar-se da areia que insiste em sugá-lo para baixo.

Com ajuda, tudo fica mais fácil!

Retornando a almas, espíritos e gavetas.

“Mas eu já tentei organizar a minha gaveta. Não dá!”

Bom, que tal inventar uma nova maneira para organizá-la?

Provavelmente, quando criança, já deve ter brincado de empilhar dominós, colocando uma pecinha atrás da outra, pacientemente, até conseguir formar uma enorme coluna e, finalmente, derrubá-la, dando um peteleco na última peça colocada.

Melhor ainda: já observou pilhas de latas em supermercados?

Desconfio que o repositor deve ter levado horas e horas para deixar tudo bonitinho, estudando a melhor maneira de equilibrar as latas, até formar uma pilha impecável.

Não deu certo de um jeito?

Tente de outro. E de outro. E mais outro.

Pode apostar. Com disposição e boa vontade, você consegue reorganizar a sua gaveta.

Ninguém melhor do que você para saber onde guardar cada coisinha, determinar o que deve ser jogado fora e escolher o que, de fato, entrará na sua gaveta daí por diante.

E não permita jamais que qualquer pessoa que seja, abra a sua gaveta e bagunce-a outra vez.

Afinal, ali estão depositados os seus mais íntimos segredos e sentimentos.

Ah, e se precisar de ajuda na arrumação, basta chamar!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

AS MESMAS FLORES, O MESMO JARDIM...

(por Luiz Henrique Prieto)

DOM: Algo divino, imputado a raríssimos seres.

Felizmente, sou um desses raros espécimes contemplado com algo tão divino.

Quase sempre, recomendo às minhas amigas: "Ao invés de sair por aí, caçando borboletas, cuide do seu jardim, para que elas venham naturalmente até ele."

É a grande verdade, não dita por mim, mas compilada de algum lugar que, confesso, não lembro qual.

Quando as flores do meu jardim estão murchas, sem viço algum e as ervas-daninhas estão em maior número do que a grama, antes verdejante, lá se vão as borboletas !

No entanto, quando arranco as ervas, rego outra vez, com muito amor as sementinhas e permito que os raios de sol venham banhar as flores, essas novamente renascem, proporcionando um inacreditável espetáculo de aromas e cores.

Atraídas pelo porto belo e seguro que ali se anuncia, ressurgem as fugidias borboletas, algumas alquebradas, outras manquitolando, a maioria invariavelmente machucada pelas teias e armadilhas encontradas no caminho.

Refeitas e saciadas, rebatem as potentes e belas asas, num gracioso balé, enlevando a quietude que impera em meu jardim.