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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

PESCARIA



  
PESCARIA

(Luiz Henrique Prieto)



Todas as manhãs, bem cedinho, o pescador pega o seu barco e ruma para alto-mar.
Dentro do barco, além da rede de pesca, há um grande estoque de FÉ e ESPERANÇA.
Ao chegar a determinado local, o pescador lança sua rede ao mar, sem saber ao certo, o que vai pescar.
Tem dia que a pesca é boa.
Tem dia que nem tanto.
Porém, diariamente, o pescador confere a sua rede, efetuando alguns ajustes e reparos.
Ele sabe que, caso a rede não esteja em boas condições, de nada vai adiantar lançá-la, ainda que seja sobre um enorme cardume.
Outro fato importante: ele sabe que, se lançar a rede, repetidas vezes, sobre o mesmo local, mais cedo ou mais tarde, não pescará nada, dada a escassez de recursos.
De pé, em seu barco, equilibrando o corpo frágil, fustigado pelo sol, sabiamente lança a rede bem cuidada a esmo, alcançando a maior distância possível, pois sabe que assim aumentará as suas possibilidades.
Pacientemente aguarda, até que os peixes mordam a isca.
O resultado da pesca vai depender da sabedoria, da habilidade, da paciência e da perseverança.
Claro que vão surgir contratempos!
Mas, se diante das intempéries, o pescador decidir não lançar a sua rede, não haverá pescaria.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

PROMESSAS...



PROMESSAS
(Luiz Henrique Prieto)


Então é isso?
É assim que acaba?
Num banco de igreja
Numa tarde abafada

A promessa sincera
A cara, por lágrimas lavada,
Coração aos pulos
De mãos postas, a alma apertada

Por fim, o milagre acontece
O sopro divino traz alívio ao peito
"Negativo", sorrimos
Ante o sufoco desfeito

A tensão se desfaz
O sorriso no ar predomina
Está feliz o rapaz
Está contente a menina

Entre sussurros e lágrimas
Alívio!
Palavras entrecortadas
Soluços contidos no peito
Transbordam da boca e da alma
Confissões de um amor verdadeiro

Deixado o santuário
A luz do sol escarneia:
"Não pode mais", diz a promessa
Que bate na cara, estapeia

Então, é assim que termina
Duas ruas que se cruzavam
Hoje não fazem esquina

Foi-se embora o rapaz
Foi-se embora a menina

Então, é assim que termina...

Ontem, era "meu amor"
Hoje, apenas "Bom Dia"...
 

segunda-feira, 14 de abril de 2014

AMOR FRANKENSTEIN




(by Bia Brandhuber)


É possível remendar o amor? 
Sei lá!
Quando penso num amor remendado, logo me lembro das fitas cassetes da minha adolescência e do Frankenstein. 
Quando as fitas arrebentavam, e eu com toda minha precisão cirúrgica (só que não), remendava tudo com durex. 
A fita até rodava...
Mas, que raiva!
Sempre engasgava ou pulava, geralmente nas partes que eu mais gostava. 
O Frankenstein, bem, parece, mas não é. 
Acho que amor remendado é assim: pode até parecer, mas nunca vai ser novo, de novo. Nada de amor Frankenstein, que parece, mas não é. 
E nem de amor fita cassete, amassado, que pula e engasga nas melhores partes. 
Se ainda existe amor, ame de novo! 
Não um novo amor, mas um amor novo! 
Reinvente, recomece, não remende!


domingo, 2 de dezembro de 2012

A DELÍCIA DOS 30


(by Bianca Brandhuber Goulart)


Acho que a mulher que já passou dos 30, vai entender quando digo que chegar aos 30, é como alcançar à "maioridade" do departamento de neuras. 
Como é bom se livrar daquela obsessão por um corpo perfeito, da vontade de "morrer" por tudo, do sofrimento de achar que tudo é pra sempre, da necessidade quase vital de ser o centro das atenções. 
Finalmente entendemos que não precisamos nos encaixar num molde. 
Que não se precisa adquirir um câncer de pele, esturricando no sol, pra conseguir um bronzeado só porque te disseram que pele bronzeada remete a uma aparência saudável e que homem adora marquinha de biquíni. 
Adivinha? 
A outra metade do mundo adora uma branquela como você! 
Até Michael Jackson quis ficar branquelo! 
Descobrimos que não precisamos usar um "cinto largo" no lugar de uma saia, para atrair olhares. 
Sim, é possível ser sensual e atrair olhares estando elegantemente vestida. 
Posso te afirmar, que até chamará muito mais atenção, despertará muito mais o interesse masculino (é claro, se forem homens e não hienas...rs). 
Constatar que não "morreremos" de amor, não tem preço! 
E que o "pra sempre", pode durar só até a próxima semana. 
Acho que grande parte da sensualidade de uma mulher, vem de sua segurança. 
Quando temos consciência de nossas qualidades intelectuais e físicas, nos tornamos muito mais atraentes. 
Finalmente livres! 
Livre para ser "atraentemente" imperfeita, ao invés de ser "mais sem graça que a top model magrela na passarela".


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

MULHERES À PARTE


(by Bianca Brandhuber Goulart)



Estou cansada de gente vazia. 
Vazia de sentimentos, de idéias, de objetivos, de compromisso, de consciência, de valores e etc. 
Parece que o 'mundo dos relacionamentos' virou um mercadão a céu aberto. 
Nós, todos nós, mas infelizmente mais as mulheres....estamos expostos em prateleiras, ou temos nossas 'partes' dependuradas em algum anzol...tipo açougue. 
As pessoas escolhem as partes que elas gostam mais, que desejam mais. 
Parece que para sermos interessantes, temos que nos dividir em partes.
Mas, e o TODO? 
Ah, o TODO ninguém tá querendo não. 
Dá trabalho...precisamos dar atenção, cuidar, gostar, amar...enfim. 
E fica essa promiscuidade de partes, todos saindo e se interessando por partes de alguém.
São raras as pessoas, que nos queiram por inteira. 
Amigos pra qualquer hora? 
Raríssimos! 
Homem que se apaixone por uma mulher INTEIRA?
Quase em extinção! 
Então é isso...
MENINAS, NÃO SE APRESSEM, NÃO SEJAM 'PARTE' PARA ALGUÉM. 
ESPEREM...RESPIREM...
E VOCÊS INTEIRAS, SERÃO TUDO PARA ALGUÉM! 
Sintam-se, sejam lindas, charmosas, sensuais...PODEROSAS!
E vocês serão!"

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

PALAVRAS AO VENTO

(by Luiz Henrique Prieto)



Nas minhas palestras, sempre que possível, abordo o tema “relacionamentos”.
Estranho, né, já que o foco principal é a “Gestão do Transporte Público”.
Mas, relacionamentos são relacionamentos, em qualquer área.
E o que tenho visto ao longo dessas quase 4 décadas de vida, é que os relacionamentos estão definhando cada vez mais.
E não se trata apenas de relacionamentos amorosos!
Seja numa relação amorosa, de amizade, ou até mesmo de colegas de trabalho, onde o convívio é obrigatório, as coisas estão rolando escada abaixo.
Pura e simplesmente porque, ao invés de tentarmos consertar algo que quebrou, jogamos fora!
Relações descartáveis.
Mas...porque?
Bom, dizer que sou um expert em relacionamentos seria uma tremenda duma cara de pau!
Mas ouso dizer que, uma das principais falhas, está nas “vias de trânsito” das relações, ou mesmo nas questões das Leis da Física: tudo o que vai, tem que voltar!
Não entendeu?
Explico.
Qualquer tipo de relacionamento, tem que, obrigatoriamente, ser uma via de mão dupla. 
Não, não se trata de “plantar para colher”, esperar algo em troca ou coisa do gênero. 
Mesmo porque, esse retorno ocorre naturalmente, sem qualquer obrigação. 
Tipo casal, sabe?
Enquanto a mulher cuida da casa, das roupas, da comida, etc., para dar ao esposo um lar aconchegante, onde ele possa encontrar abrigo depois de um dia pesadíssimo no trabalho, por sua vez, o marido se preocupa em agradar sempre a esposa, seja tecendo um elogio, seja levando-a para passear, ou mesmo, dividindo com ela as tarefas domésticas. 
Fazem porque se gostam, não por obrigação.
Acho bonito o jeito que as pessoas que habitam as cidadezinhas do interior lidam com os relacionamentos. 
Chegam, descompromissadamente, sem interesse, trazendo um queijo, um molho de verduras, um litro de leite. 
Simplesmente chegam! 
Para uma prosa, sem interesse. 
Às vezes, só prá dizer um “oi comadre”.
E recebem, em retribuição, um cafezinho passado na hora, um biscoitinho, acompanhado do sorriso mais puro do dono da casa. 
Essa troca, não tem obrigação nenhuma, não precisa ter! 
Acontece porque um reconhece no outro o verdadeiro significado do amor desinteressado. 
E, mesmo que não tenha guloseimas, fica a satisfação da visita. 
O simples fato de ser lembrado, a toa, já é o suficiente para despertar no outro a vontade de retribuir a gentileza. 
E assim deveria ser, em qualquer relacionamento...via de mão dupla!
Agora, quando a coisa se torna via de mão única, aí complica.
Não há santo que resista ao desafio de somente ele atuar, sem que o outro contracene. 
Fica parecendo um monólogo, um grito dado no alto de uma montanha num vale extenso, onde não há eco.
E quando não há eco, quando você não ouve a “voz” retornando, bate o desânimo.
Palavras ao vento...
Enfim, cuide para que os seus relacionamentos não sejam uma via de mão única.
Observe se a outra parte está lhe dando algum retorno.
Obviamente, nem sempre o retorno é imediato, vem com o tempo.
Mas há que se ter sabedoria para entender que esse tempo não pode ser eterno. 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

ARRUMAÇÃO


(Luiz Henrique Prieto)

Por quem arrumo minha casa?

Por mim mesmo, oras!

Afinal, se eu não me importar e cuidar de onde habito, quem mais haverá de cuidar?

As visitas são perenes, vão e vêm, mas não permanecem tempo suficiente para perceberem o pó no cantinho da estante.

Já eu, que convivo ali diariamente, percebo os menores indícios da má conservação.

Para as visitas inesperadas, a gente sempre dá um jeitinho de fazer aquela arrumação relâmpago!

Mas, e eu?

Onde fico nessa história?

Constantemente fazendo uma faxina geral, cuidando da arrumação!

Dá trabalho, viu?

Mas depois, lá na frente, cuidarei apenas da manutenção, mantendo a casa limpa e organizada, para que as próximas visitas possam permanecer por muito mais tempo!

Quem sabe, uma dessas visitantes não resolve fixar residência, em definitivo.

A você, que vem me visitar, peço apenas uma coisa: tire as sandálias e limpe os pés, antes de adentrar onde eu habito.

Porque aqui, o solo é sagrado!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

MAÇÃ - ESCOLHA A SUA




(by Luiz Henrique Prieto)







Todos querem a felicidade, e o foco principal é encontrar a alma gêmea, a metade da laranja.
Almejam encontrar quem lhes fará suspirar, o coração bater descompassado e os pensamentos ficarem confusos.
E, claro, esperam a pessoa perfeita, sem falhas, fraquezas ou pequenos defeitos.



Bom, fazendo um paralelo com a maçã, temos a seguinte situação:
Você chega na banca de frutas e dá uma boa olhada, superficial.
À primeira vista, as maçãs que estão por cima, na crista da onda, são bem vistosas, com um brilho de encher os olhos.



As demais, que ficam quase escondidas, já nem brilham tanto, perderam o visco.
As primeiras, têm uma casca praticamente perfeita, lisa e brilhante, num tom radiante que até pode significar paixão intensa.



As segundas, já nem brilham tanto: as cascas estão machucadas, o tom radiante perdeu o visco, o aspecto já nem é tão agradável assim.



Porém, as maçãs "top" despertam a gula dos mais apressados, que chegam a salivar, antes mesmo de terem experimentado.
Invariavelmente, todos vão examiná-la, passando de mão em mão, até que algum gaiato (ou gaiata) resolva levá-la prá casa.
Decerto, colocará o troféu sobre a mesa, numa bandeja vistosa, para exibi-lo com triunfo aos olhares dos supostos invejosos.



Já as outras, aquelas feinhas, com cicatrizes, somente serão escolhidas quando faltarem as primeiras.
Fatalmente, terão como destino, a última prateleira da fruteira.
Ou ainda, o fundo da gaveta da geladeira!
Afinal, ninguém vai querer sair por aí, exibindo uma fruta machucada, cheia de cicatrizes.



Mas, e a polpa?
Será que, quando removemos a casca, a polpa é diferente?



Os frutos têm a mesma origem!



Foram submetidos aos mesmos tratamentos.



Receberam os mesmos cuidados, o mesmo carinho, o mesmo afeto, o mesmo amor.



Foram cuidadosamente selecionadas e colhidas, na mesma época.



Os machucados, as cicatrize, são resultados da mão humana que, alheia aos cuidados do Criador, manipularam os frutos de forma errada, ao seu bel prazer.



Então, meus queridos, minhas queridas, da próxima vez que forem escolher uma maçã, ou mesmo que essa lhes caia "acidentalmente" no colo, lembrem-se que a casca é perecível, uma mera superfície.



Já a polpa....hummm!



Essa sim, é uma DELÍCIA!!!


terça-feira, 5 de outubro de 2010

SENTIMENTOS

(by Luiz Henrique Prieto)


Às vezes, apostamos no alheio, na esperança de fazer surgir ali algo forte, puro, verdadeiro.

Começa com uma troca de olhares.

Depois vem um despretensioso "oi".

Daí a pouco, os diminutivos.

Surge a necessidade, quase cotidiana, de dar ou receber algo de bom ao outro.

Como num flerte juvenil.

Feito antigamente, quando namoro entre crianças limitava-se a andar de mãozinhas dadas.

A expressão máxima do amor era representada por um abraço sincero, regado a beijo estalado na bochecha.

Amor infantil, puro, verdadeiro.

Sem coisas materiais.

Sem posses ou cobranças.

Apenas a feliz necessidade de estar ao lado de quem se gosta.

E o gostar, não raras as vezes, confunde-se com amar.

Embora o amor, na sua máxima plenitude, esteja muito acima do amor adâmico, amor carnal, amor homem-mulher.

Amar.

Querer o bem alheio, incondicionalmente.

E por medo de amarmos infantilmente, estragamos uma possível bela amizade.

O olhar alheio e a língua ferina dos mal amados, aliados ao filtro errado, certamente produzirão naquele casal de crianças a falsa impressão de um romance libidinoso.

Às vezes, somos traídos, pegos de surpresa, pelos próprios sentimentos.

Pernas trêmulas, coração aos pulos, nó na garganta.

Amor?

Sim!

Amor-essência, entre estranhos que até então, mal se conheciam.

Mas que descobrem, casualmente, outras maneiras de despertar novas sensações.

Passada a adrenalina do pré-encontro, vem a sensação de estar nas nuvens.

E, como num ciclo vicioso, a necessidade do bem estar aumenta cada vez mais.

Vicioso, como endorfina.

Injetada na veia, a boa sensação surge, quase que instantaneamente, como num abraço.

Infelizmente, o efeito não é duradouro.

Daí, a necessidade absurda de doses cada vez mais intensas.

E, como em todo vício, quando a substância principal é retirada, vem a abstinência.

Alguns sobrevivem, outros não.

Muitos sofrem, em demasia.

Poucos buscam novas fontes de obtenção do prazer.

Raros os que apenas sorriam, ainda que um sorriso triste, ante a incompreensão.

E seguem, em frente...

"Caí, no chão não fiquei.
Me vergo, suporto, levanto.
Sou forte, sou feito
Madeira de Lei".

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Política, Reforma Agrária e...BORBOLETAS!

(by Luiz Henrique Prieto)



O bom político é aquele que nunca te viu, mas abriu as portas do gabinete, ante a necessidade, sua ou de outrem.

A política necessita de mais homens do povo do que de falsos profetas.

Homens comprometidos com a realidade brasileira, flagrante no nosso dia-a-dia: desempregados, sem-teto, drogas, violência, insegurança, desrespeito às leis humanas e divinas.

Um sem-número de situações que fingimos não enxergar, alienados diante da "Caixa do Capeta", absortos em nossos fones de ouvido.

Risonhos imersos na quantidade de bobeira que insistem em nos empurrar, goela abaixo...
"Faça isso, compre aquilo, use aquilo outro"...

Quando é que o povo vai tormar a rédea das suas próprias vidas?

Quando é que VOCÊ vai tomar posse do que realmente lhe pertence?

Até quando vai permitir que invadam o seu terreno?

Afinal, quem dita a sua vida?

Como exigir de outrem aquilo que você não é e não faz?

Porque insistir em conhecer a casa do outro, se você sequer conhece a própria casa?

Até onde vão os limites do seu terreno?

Você os conhece?

Sabe que há invasores rondando?

Ervas daninhas crescendo a esmo no quintal?

Corre atrás de borboletas, mas esquece-se de plantar a semente, adubar, regar e cultivar flores.

Não é mais simples atrair as borboletas para o seu jardim?

Mas não para aprisioná-las.

Jamais!

Apenas observe e permita que lambisquem o néctar, atolando as patas no pólen.

Dessa maneira, em breve, o seu jardim florescerá em tantos lugares que será quase impossível divisar-lhes o alcance.

Ainda que caíam as folhas no outono, que murchem as flores no inverno, a primavera chegará!

E com ela, o festim florido, trazendo como convidadas especialíssimas, as borboletas e o seu balé multicolorido e garboso.


O anjo do Senhor apareceu-lhe numa chama (que saía) do meio a uma sarça.
Moisés olhava: a sarça ardia, mas não se consumia.
"Vou me aproximar, disse ele consigo, para contemplar esse extraordinário espetáculo, e saber porque a sarça não se consome."
Vendo o Senhor que ele se aproximou para ver, chamou-o do meio da sarça: "Moisés, Moisés!"
"Eis-me aqui!" respondeu ele.
E Deus: "Não te aproximes daqui. Tira as sandálias dos teus pés, porque o lugar em que te encontras é uma terra santa."

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Amor, Sarjeta e Dignidade

Trecho extraído do Show "Eu e o Tempo", gravado no Canecão, RJ, em janeiro de 2009


"Uma das histórias mais bonitas do meu pai, aconteceu numa tarde chuvosa.

Nós estávamos em casa, quando alguém veio nos avisar:

'Dona Ana, a senhora vai ter que buscar o Seu Natinho, porque ele tá bêbado demais, ele não consegue voltar pra casa. Tá caído lá na padaria, lá na padaria, lá na frente, lá no centro'.

Eu me recordo que eu era muito pequenininho.

Imediatamente, eu já me levantei, pronto para resolver a situação, sabe?

Fui eu, minha mãe e um irmão meu, mais velho.

E eu me recordo, gente, que quando nós chegamos lá, meu pai estava caído, na sarjeta mesmo.

A bicicletinha dele, ele era pedreiro, né ? Tava caída assim, de lado, e ele na sarjeta.

Tinha chovido, e aquele barro que forma quando você tem uma enxurrada, ele ali, misturado.

Eu me lembro que o primeiro sentimento que me veio, foi de vergonha.

Eu tinha medo que algum colega meu pudesse passar, pudesse ver meu pai naquela situação.

Eu me lembro que nós tiramos ele ali, com pressa, muita pressa.

Levamos ele pra casa, demos um banho nele, pra que ele pudesse voltar a ser meu pai.

Meu pai foi um homem muito trabalhador, muito justo, muito honesto.

Mas viveu, num determinado momento da vida, o problema do álcool.

Superou, graças a Deus, morreu sem o problema.

Mas aquela tarde fica registrada na minha memória, de um jeito muito intenso, porque ela representa pra mim uma das aulas de teologia que a faculdade não me deu.

É bonito você reconhecer o amor que você tem por uma pessoa, no momento em que ela está no podium.

É fácil amar uma pessoa no momento da vitória, no momento em que há razões para ser amada.

Mas no momento em que o outro faz tudo errado e mesmo assim o seu coração se mobiliza, para continuar elegendo como seu...

Eu aprendi que Deus é assim.

Que mesmo no momento da nossa sarjeta, a predileção dele por nós não passa, não termina.

Porque o amor que Deus tem por nós, não passa pela lógica da utilidade, do mérito.

Passa pela lógica do significado.

Não é mérito, não precisa ter.

Depois de tanto tempo vivido, eu identifico que o sentimento que me ocorre, que me ocorreu naquele momento, não era de vergonha, era de indignação!

Porque a indignação é você ver a pessoa certa, no lugar errado.

E eu como padre, hoje, compreendo que o essencial da minha vida, da minha evangelização, consiste, justamente, em descobrir e ficar indignado com as realidades que eu encontro quando vejo pessoas certas, nas situações erradas.

E, para mim, o processo religioso vale, na vida, justamente para isso: Pra nos retirar da sarjeta, pra lavar a nossa alma e nos devolver a dignidade perdida."


Padre Fábio de Melo

terça-feira, 28 de setembro de 2010

CASAMENTOS (Ou o final deles...)

(by Luiz Henrique Prieto)

Casamento, ou melhor, o final dele, pode ocorrer de duas formas:

Tipo aquele carinha que namora escondido a sua filha pré-adolescente e você só descobre quando já estão há mais ou menos um ano juntos, inclusive tendo consumado o "ato proibido";

Tipo aquele dia em que você acorda com o pé errado (como se algum dia a gente acordasse sem um deles, né?), corre prá pegar o busão lotado e quando a porta se abre, visão do paraíso: um mulherão, sorriso lindo, olha prá você e, sutilmente, lhe cede passagem.

Aí o bobo pensa: "Ganhei o dia"!

Escancara um sorriso de comercial de creme dental (só que, nesse caso, o dentifrício ficou no cantinho da boca e você, na pressa de sair de casa, nem percebeu), ensaia uma piscadela (os olhos cheios de remela) e quando pensa que está abafando...cataplaft!!!
Trupica no degrau, a caixa metálica pula da bolsa, descreve um arco ascendente, bate no balaústre, quica na mesinha do trocador e...splash !!!
Tragicamente se abre em duas, revelando o conteúdo mágico: arroz dormido, feijão ressecado, um zôiúdo estalado, gema dura, um naco de carne e um tantim só de colorau (prá dar cor na comida, né? Benhê!).

Aí você se dá conta: "Hoje, não é o meu dia"!

E com aquela cara de que "nem te ligo", fingindo de égua, ensaia assobiar uma canção.

Mas a única coisa que sai dos lábios é a melodia (?) de um dos hits do momento, desses que os playboys insistem em ouvir no último volume, enquanto dirigem o Chevette 78 tunado, com o braço esquerdo apoiado na porta, a cabeça quase recostando no banco traseiro, óculos de vaga-lume e cabelo pingente de trem-bala.

Conciso?

Tá bom, Seu Leandro!!!

Sempre pegou no meu pé quando eu escrevia "Bastidores de Leandro & Rosca" (modéstia à parte, o meu filho pródigo).

Certa vez, perguntei ao público, leitor fiel, o que gostariam que mudasse no blog. Resposta em massa: "Nada"!

Ou seja: falou que é fofoca de gente (?) famosa (?) ou desgraça alheia, vende que é uma beleza!

Concisando os primeiros parágrafos: ou o casamento termina na moita, ou termina em escândalo!

Sempre desconfiei da senilidade dos Titãs do Iê-iê-iê, com letras pesadas, beirando a anarquia e com seus cortes de cabelos esdrúxulos.

Logo, difícil imaginar que Tony Belloto escrevesse algo, digamos, conciso.

Me enganei redondamente!

Recentemente, comecei a ler uma matéria assinada pelo Tony, em uma revista de grande circulação (não, não é aquela que tem mulher pelada, muito menos aquela com fofoca de artistas).

Meio desanimado, olhava prá foto e lembrava do refrão: "polícia é para quem precisa, polícia é prá quem precisa de polícia"!

Pero, após a terceira linha, me rendi ao respeitável escritor, desvencilhando-o de vez da pecha de "rebelde sem causa".

O tema da matéria?

Coisas de casal!

Resumindo, para a felicidade do Nassif, tudo o que acontece entre um casal, seja bom ou seja mal (sei que é com "ú", mas foi só prá rimar), deve ficar ENTRE OS DOIS e mais ninguém!

Nada de sair por aí, jogando mer...cadoria no ventilador!

O problema é que, separar amigavelmente, com juras de amizade eterna, só acontece em novela das oito, que começa às nove, e olha lá!

Ainda que uma das partes diga que está tudo bem, no fundo, no fundo, tá é maus mesmo!

Uma das partes, diriam os adêvogados, sofre mais, ficando presa ao passado, moendo e remoendo as coisas ruins.

Das boas, praticamente não faz questão de lembrar.

Daí vem a famosa frase: seus bens prá lá, meus bens prá cá.

"Devolva meus CD’s, passa prá cá minhas coisas (que antes eram minhas e suas), toma de volta os seus presentes, etc., etc.)".

"Eu vou te deletar, te excluir do meu orkut, eu vou te bloquear no msn. Não me mande mais e-mails, nem scraps, powerpoints....lá lá lá lá lá lá...e adicione ele" (*)

E tome troca de acusações!

Ufa!!!

Quem dera fosse como no mundo digital: CTRL T + CTRL X e pronto!
E nada de guardar na Lixeira!
Vai que um dia você decide resgatar o arquivo deletado...

Mas não é tão simples assim.

As relações, aliás, as separações, por mais amigáveis que sejam, sempre acabam derrubando um dos lados.

Pessoas reagem de maneira diferente, diante de uma mesma situação.

Cada qual tem a sua essência.

E isso não tem como mudar.

Uns se descabelam, partem pro desespero, tentam mil e uma artimanhas para afetar o outrora bem-amado!

Outros se calam para o mundo exterior, travestem-se em verdadeiros personagens para a sociedade, mas no calar da noite, no aconchego do travesseiro, choram as mágoas guardadas.

Uns, literalmente, escancaram a marmita.

Outros, ficam na moita.

Um grande abraço e todo o meu respeito ao Sr. Tony Belloto, escritor memorável.

(*) Já havia terminado de escrever esse post e estava fazendo a revisão. Não resisti à tentação de homenagear a turma do Café Comédia com uma autêntica "fuleragem music"!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

"Foram cortando as minhas ilusões e salgando as minhas utopias.

Machucaram meu passado e prenunciaram dias sombrios.

Fui visitado pela sabedoria e soube reconhecê-la.

Conversei cuidadosamente com o tempo.

Sobrevivi".

(Gabriel Chalita)

quarta-feira, 9 de junho de 2010

ROUBARAM UM DEPUTADO ?! (PARTE II)

(by Luiz Henrique Prieto)

Tive o apartamento arrombado e todo revirado.

A competente Polícia Militar, levou míseras 6 (seis) horas para chegar ao local.

Pior ainda.

Semanas atrás, precisei registrar um Boletim de Ocorrência referente à perda de documentos.

Fui, literalmente, empurrado, de delegacia para delegacia, até chegar à 3ª AISP.

Ali sim, fui muito bem recepcionado e a funcionária, muito prestativa e educada.

Porém, alertou-me que poderia registrar o "B.O." no "REDS" (aliás, essa siglazinha merece um texto à parte), mas que só poderia retirá-lo daí a 15 (quinze) dias, porque não havia tonner na impressora.

Diante da minha cara de cachorro sem dono (tal o desânimo que abatia-se sobre minha pobre carcaça), sugeriu que eu fizesse o registro e imprimisse em outra delegacia, sem a necessidade de enfrentar fila.

Essa atitude nobre revela o comprometimento da funcionária com um João Ninguém.

Fosse em outra Unidade, simplesmente diriam: "Equipamento com defeito"!

Feliz da vida, de posse do protocolo, procurei a delegacia mais próxima.

Andei feito um cão sem dono, pedigree de vira-latas.

Enxotado daqui e dali, com as mais estapafúrdias desculpas, fui parar na Delegacia do Idoso (também, com o tanto que andei prá lá e prá cá, devo ter chegado mesmo, anos depois).

Finalmente, depois de tanta luta, consegui o Boletim de Ocorrência impresso!

Pergunta coçando a língua: E se fosse um Deputado?

Muito provavelmente, a delegacia iria até ele...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

ROUBARAM UM DEPUTADO ?! (PARTE I)

(por Luiz Henrique Prieto)


Antes que me critiquem, quero deixar bem claro que nada tenho contra o nobre Deputado. Muito pelo contrário: solidarizo com o sofrimento do mesmo, uma vez que já fui vítima, inúmeras vezes, das mazelas sociais.

Calma, gente, não se trata do típico ditado "ladrão que rouba ladrão"!

Muito menos, surrupiaram alguém em Brasília!

Trata-se apenas e tão somente da indignação de um João Ninguém, contra o destaque que a mídia vem dando ao assalto ocorrido, semana passada, à casa de um deputado mineiro.

Diariamente, somos assaltados, furtados e humilhados, por uma boa parte de homens de preto, empossados, diplomados e, o que é pior: ELEITOS PELO POVO!

Nossos velhinhos, que contribuíram a vida inteira para o famigerado INAMPS, hoje INSS (mudam as siglas, mas as porcarias e falcatruas continuam as mesmas), precisam de um rebolation, todo mês, para fazer mágica com a mísera aposentadoria.
Talvez chamemos o Mr. "M" para desvendar tal mistério.

Emburreceram, não de aborrecer, mas de tornar BURRAS, pelo menos duas gerações inteiras com a tal "Escola Plural", onde o aluno não era reprovado (disse "era" porque nem sei mais como está o Sistema de Ensino Público).
Duvidam?
Pois peçam a um grupo de adolescentes, ou mesmo de jovens adultos, para tecer uma redação sobre qualquer tema (desde que não seja o hit do momento, vampiros adolescentes, divas americanas que exibem seus corpos em hot-clips com letras desconexas e danças pornô-sensuais).

Mas agora, que a criminalidade atinge alguém, cuja importância é fundamental para o bom desenvolvimento da nação, representante de uma Casa (e de uma classe) Legislativa, interessada somente no bem estar público e social (pelo menos é assim que está na cartilha), bramam vozes: "Ah, precisamos rever a política de segurança pública. Nossa cidade não pode ficar à mercê da bandidagem. Temos que dar prioridade máxima à Área de Segurança".

Puxa vida!

Quantos pés-rapados têm a residência arrombada, são vítimas de extorsão, saidinhas de banco, arma na cabeça, "passa o vale-transporte, malandro!" e por aí vai.

Mas, quando o flagelo social atinge um Excelentíssimo Senhor Doutor, todos ficam pasmos!

Porém, quando se trata de "Joões Ninguém"...

Isso mesmo, NÓS, os eleitores, somos vistos apenas e tão somente em época de eleição.
Depois? "Nem te ligo"!

- "Esse cara viajou na maionese"! Dirão.

Hum, hum...

Se a cracolândia da Rua Araribá fosse na Zona Sul, Pampulha ou Alto dos Mangabeiras, teriam ou não resolvido o problema há tempos?

Sem falar no tratamento diferenciado!

terça-feira, 11 de maio de 2010

O PODER DA AUTORIDADE

“O poder da autoridade...se pode não faz questão”. (Gilberto Gil - Nos barracos da cidade)

“A polícia apresenta suas armas: escudos transparentes, cassetetes, capacetes reluzentes e a determinação de manter tudo em seu lugar”. (Os Paralamas do Sucesso – Selvagem)

Pois é...

Dia desses, enquanto realizávamos mais uma “Campanha do Pãozinho” (projeto do “Grupo Fraterno Amigo Presente”, através do qual, toda sexta-feira é oferecido um lanche à população de rua que vive no hipercentro de BH), deparamos com uma situação inusitada: quando nos aproximamos de uma dessas “pessoas invisíveis” (explico isso melhor nas minhas aulas de Ética e Cidadania, mas brevemente, postarei a esse respeito), que estava tranqüilamente (se isso for possível para um pobre-diabo) deitado, ao lado da porta de uma padaria, ali pelas bandas da Av. Olegário Maciel, um policial militar saiu, enfurecido, na porta do estabelecimento e disse o seguinte: “Se vocês forem dar alguma coisa pra ele, tirem ele daqui e levem pra outro lugar”. (sic)

Tomamos um baita susto!

Ora, como proceder diante de algo tão absurdo?

Não passamos de meros voluntários, tentando levar um pouco de alento e de alimento aos “invisíveis”!

Ora, pois!!!

Um dos nossos colegas explicou, educadamente, que não tínhamos autoridade para remover o pobre-diabo dali.

O andarilho, talvez encorajado com a nossa presença, fincou pé e disse que não sairia mesmo.

O PM, educadamente: “Cê vai sair numa boa ou vai ter que ser de outro jeito?” (sic)

O andarilho: “Não saio, não saio, não saio!”

O PM, revoltado, dirigindo-se ao nosso Grupo: “Tá vendo o tipo de gente que vocês sustentam? E ainda tiram a autoridade policial!” (sic)

Criou-se um impasse: alimentar ou não aquele que representava um estorvo para a sociedade?
Vendo a nossa indecisão, o colega que tornou-se o porta-voz do Grupo, disse ao PM: “Meu amigo, o senhor ali deitado não está fazendo nada de errado!”

O PM, indignado: “Tá sim! Tá fedendo, todo imundo! E tá atrapalhando os clientes (da padaria) e eles tem o direito de comer em paz!” (sic)

Nosso porta-voz: “Pois é. E ele tem o direito de ir e vir!”

O PM quase voou na goela do nosso colega.

Esbravejou, citou vários artigos (inventados por ele, é claro) da Constituição Federal, e do Código Penal, tentando nos intimidar, mas deu com os burros n’água!

Nosso porta-voz: “Amigo, calma aí que o meu irmão é Capitão da PM. Sei tanto ou mais sobre leis do que você!”

A palavra “Capitão Fulano de Tal” soou como um soco na boca do estômago do impertinente PM!

Tanto é, que ele foi do rubro ao branco numa fração de segundos!

Aproveitando a deixa, nosso colega completou: “Jesus disse: fazei o bem, sem olhar a quem! Dai de comer a quem tem fome!”

Não sei se para livrar o PM de um constrangimento maior, ou se, realmente havia uma ocorrência em andamento, mas o fato é que, rapidinho, saíram da padaria mais três PM’s, tirando dali o “gentil” soldado.

Porque tal fato me levou a escrever esse post?

Fiquei curioso com a atitude imponente e enérgica do policial.

Será que o andarilho estava mesmo incomodando os clientes?

Ou será que atrapalhamos o “serviço de segurança privada” que a guarnição supostamente prestava ao estabelecimento?

Sim, SEGURANÇA PRIVADA!

É notório e público, e o diretor de “Tropa de Elite” retratou de maneira fiel, essa triste realidade, que alguns comerciantes dão pequenos “agrados” aos policiais em serviço, em troca de uma “atenção especial” dessa ou daquela guarnição.

Não acreditam?

Pois dêem uma olhada melhor no comércio de sua região!

E observem se não existem PM’s dando proteção a determinados comerciantes.

Infelizmente, esses “agentes de segurança pública” (obviamente, uma pequena parcela), vende proteção especial, em troca de um lanchezinho aqui, uma cervejinha acolá.

E nós, pobres trabalhadores que não têm condições de dar uma propinazinha aos “homens da Lei”, como ficamos?

Já dizia o “Jovem”, personagem rebelde de Chico Anísio: “Ó, ó, com cara de bundão!”

O fato é que, naquele momento, prevaleceu a hierarquia das Leis.

A Lei Divina sobrepujou a Lei dos Homens.

O Policial Militar, investido de Autoridade Policial.

Nós, investidos de Autoridade Divina!

Sim, meus caros...

Somos PORTADORES DE DEUS!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

SPA...OÁSIS...

(por Luiz Henrique Prieto)

Vivemos numa correria danada...

São as maravilhas do mundo moderno.

Acordamos sobressaltados, coração aos pulos, expulsos da cama pelo insistente despertador que nos interrompe os sonhos mais belos.

Se mal temos tempo de tomar um café da manhã em família, quem dirá distribuir um alegre "Bom Dia !" entre nossos entes queridos.

Vamos ao trabalho e, assim como nas nossas relações, somos automatizados.

Acabaram-se os poemas cafonas, escritos em papéis amarrotados.

Flores então, nem pensar.

Já inventaram powerpoints, mensagens instantâneas, via celular, e até maneiras de terceirizar o que você tem a dizer para os outros.

No corre-corre do dia-a-dia, passamos por nossos semelhantes na rua, sem sequer, dirigir-lhes um olhar.

E ai daquele que nos der um encontrão !

Contudo, minha gente, em meio à toda essa confusão, a esse caos em que se transformou viver no mundo moderno, em plena área central, onde predominam o barulho infernal, a poluição e um mar de gente que mal se cumprimenta, encontramos um oásis.

Mas não um oásis qualquer...nesse, encontramos aconchego, paz, harmonia e um "quê" de santidade.

Uma espécie de spa para o espírito e para a mente.

Nesse oásis, semanalmente, é oferecido um suntuoso banquete, regado a energia positiva, boas vibrações, sábias palavras, abraço fraternal e um "oi, princesa!" ou um "oi, meu lindo!", ditos com a mais cristalina pureza do coração.

Ah, e como não falar na famosa "cumbuca mágica" ?

Famintos e sequiosos, procuramos nos satisfazer, cada qual conforme a fome que lhe apetece.

E por alguns momentos, breves sim, mas bastante proveitosos, nos entregamos às delícias de renovar o espírito e nos preparar para retornar ao desvario que nos oferece o mundo moderno.

Minha gente, queira Deus e nos permita a espiritualidade que o nosso banquete continue a ser servido por muitos e muitos anos, e que, ao sairmos do oásis, não nos esqueçamos de levar um pedacinho do alimento àqueles que necessitam.

(*) Conheça esse maravilhoso spa: Tarefa Amor - Rua Espírito Santo, 1.111 - Centro - BH - Reunião toda quarta-feira, de 18:00 h às 20:00 h

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

HOMEM CHORA SIM !!!

(por Luiz Henrique Prieto)

Como eu gostaria tanto de poder voltar no tempo....

Viver e reviver...

... aquele mundinho encantado, onde o único inconveniente era o tempo curto demais para as brincadeiras...

... aquela fase adolescente, de beijos roubados, amores fulminantes, paixões arrebatadoras, namoricos no portão...

... aquela época em que o namoro era um compromisso sério, quase um casamento, onde era proibido até pensar em outra pessoa...

... aquele período dos bilhetinhos apaixonados, do “beijinho ao próximo” (velha brincadeira, onde os participantes eram obrigados a andar de dedos cruzados, e ai daquele que fosse pego “descruzado”...pagava uma prenda, beijando quem a gente quisesse!)...

... aquelas fases fantásticas: Papai Noel e Coelhinho da Páscoa...

... aquela fase em que, mamãe era uma super-heroína, disfarçada de mãe...

... aquela fase em que eu acreditava que todos os corações eram puros, que as almas eram transparentes, na honestidade do sorriso das pessoas, na sinceridade dos olhares, na verdade das palavras....

Mas cresci....

Infelizmente....

E hoje vivo a realidade, dura e fria, do mundo adulto....

Aprendi que Papai Noel e Coelhinho da Páscoa eram protagonizados por mamãe, que fazia das tripas coração para dar de comer a seis bocas famintas, que nunca compreenderam seus esforços para manter a pequena prole sempre unida....

Pobres, sim, mas educados, bem cuidados e de bom caráter.....

Aprendi...

...que fantástico é o amor de criança: puro, simples e verdadeiro....

...que os adultos usam mil artimanhas para enganar e trair, e que espertos mesmo, são aqueles que vivem iludindo....

...que não existe aquele amor inocente da velha infância....

...que existem intrigas, mentiras, que aquele olhar “apaixonado” nada mais é do que um simples artifício da sedução...

... que a vida é dura com quem tem o coração bom, e que para ser amado, precisa-se maltratar a quem se ama...

... que amar demais machuca, que perdoar é ridículo, e que fazer qualquer coisa por amor, é estar fazendo “papel de palhaço”....

... que escrever bilhetinhos é cafona....

... que dizer “Te Amo” é tão simples e falso quanto o amor que sentimos...

... que expor os sentimentos é arriscado, antiquado e perigoso...

... que as pessoas namoram, não por estarem apaixonadas, mas por medo de ficarem sozinhas...

... que é fácil demais para alguns, simplesmente substituir “a mulher da minha vida” pelo primeiro nome que aparece na agenda...

... que as juras de amor eternas, não passam de um emaranhado de falsidades, mentiras e amor supérfluo, daqueles que acabam tão rápido quanto uma limonada geladinha num dia quente de verão....

... que amar machuca, dói mais que Benzetacyl no bumbum....

Cresci...

E vi que o mundo não é perfeito e que nem todas as pessoas são felizes....

Ah, e aprendi que homem que é homem, chora sim....

Chora porque não é de ferro, porque tem sentimentos...

Porque no fundo, no fundo, ainda tem o coração puro e as ilusões de criança.....

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O QUE AS "CORRENTES" NÃO ENSINAM...

(por Luiz Henrique Prieto)

Freqüentemente tenho recebido e-mails que ensinam a evitar assaltos nos sinais, ficar atento a pessoas “suspeitas” nas ruas, prevenindo contra seqüestros-relâmpago, alertando sobre um sem-número de novos golpes aplicados por facínoras...

Graças a essa enxurrada de precauções, nem saio mais de casa...

E graças à quantidade de “correntes” que não passei adiante, hoje sou broxa, caolho, manco de uma perna, me tornei um miserável, perdi todos os meus amigos, não faço sexo há três anos, fui excomungado, sou um tremendo azarado, fui amaldiçoado e Deus me abandonou...

Curioso como essas pragas proliferam pela internet na velocidade da luz...

Mais curioso ainda é que ninguém nos ensina a ser gentis com os outros ou a ser tolerantes com as diferenças.

Ninguém nos ensina a apreciar as coisas belas da vida, presentes nas mais “insignificantes” manifestações da natureza...

Uma flor, um passarinho, um inseto...

Ninguém nos ensina a dizer “bom dia, boa tarde ou boa noite” aos nossos familiares...

Afinal, se um parente é gentil contigo, talvez esteja planejando o seu seqüestro...

E o que dizer do filho, que corre na sua direção para lhe encher de beijos e lhe dar um abraço verdadeiro ?

“Esse aí deve estar querendo um aumento de mesada”...

E coitada daquela pessoa do mesmo sexo que o seu, que lhe dirige um sorriso ou lhe faz uma gentileza...

”Deve ser bicha ou sapatão”...

Pois é...

As benditas correntes e o “Manual do Terror” ensinam a nos afastar das pessoas, a deixar de lado o convívio social...

Nem sabemos como é a cara do nosso vizinho, uma vez que morremos de medo de abrir o portão...

Coitado dele se passar mal de madrugada...

Os relacionamentos se tornaram virtuais...

E superficiais...

É preciso resgatar a essência do ser humano, a sinceridade, a crença no homem bom, independente de qual seja a sua religião, raça, credo ou opção sexual...

Aprenda a apreciar as pessoas não pelo que elas têm de bens materiais...

Imite a sinceridade e o amor puro das crianças...

Adote a gratidão e a lealdade dos animais...

Aceite o seu corpo tal qual Deus o fez...

E não tenha vergonha de sorrir, mesmo que lhe faltem os dentes...

Afinal, o sorriso vem da alma e se esta estiver podre, nem dentes de ouro lhe salvarão...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

FAIXA VIBRATÓRIA

(por Luiz Henrique Prieto)

Curioso, mas não é que funciona mesmo ?

Não caiu a ficha ainda?

Só um segundo que já explico.

Bem, imagine que você está tentando sintonizar uma estação de rádio. Se a freqüência estiver em FM, você jamais captará AM e vice-versa.

Assim é a faixa vibratória: você vai atrair somente aquilo que está na mesma freqüência.

Dia desses, levei um “sacode” na reunião do Tarefa Amor.
Daqueles onde se tem a certeza absoluta de que o tema foi escolhido exclusivamente para você.

E assim foi.

Saí de alma lavada, vontade imensa de realmente promover mudanças.
E sem essa de, ora cair no fogo, ora cair na água.
“Seja quente, seja frio. Não seja morno, que te vomito”.

Logo cedo, quando acordamos, vivemos o PRESENTE.
Desembrulhar um presente e decidir se gostamos ou não, compete exclusivamente a cada um de nós.
Viva o livre arbítrio!

Reli, pela enésima vez, a história da mulher que fazia quimioterapia e, a cada manhã, quando se olhava no espelho e percebia que os cabelos ficavam cada vez mais escassos, decidia, de forma positiva, o que fazer com os poucos fios que lhe restavam.

“(...) olhou no espelho e percebeu que tinha somente três fios de cabelo na cabeça.

- Bom (ela disse), acho que vou trançar meus cabelos hoje.

Assim ela fez e teve um dia maravilhoso.

No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e viu que tinha somente dois fios de cabelo na cabeça.

- Hummm (ela disse), acho que vou repartir meu cabelo no meio hoje.

Assim ela fez e teve um dia magnífico.

No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e percebeu que tinha apenas um fio de cabelo na cabeça.

- Bem (ela disse), hoje vou amarrar meu cabelo como um rabo de cavalo.

Assim ela fez e teve um dia divertido.

No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e percebeu que não havia um único fio de cabelo na cabeça.

- Yeeesss... (ela exclamou), hoje não tenho que pentear meu cabelo.”


Assim, peguei o exemplo e comecei um novo dia.

Primeira tentação do dia: correr e não alcançar o ônibus!

Normalmente, eu ficaria “pê” da vida, a pressão arterial iria lá nas alturas e o dia, fatalmente estaria comprometido.
Tudo isso, às 6 da manhã!

No entanto, decidi fazer o que fosse melhor com os “cabelos” que me restavam. E absolutamente nada conseguiu mudar o meu pensamento ao longo do dia.

Afinal, os contratempos não foram culpa minha.
Não poderia modificá-los, tampouco evitar alguns dissabores.

Mas podia sim, optar em me deixar envenenar pela raiva, pela angústia e pela ansiedade, ou simplesmente, sorrir, assobiar e cantarolar “Nada, nem ninguém no mundo vai me fazer desistir...”.

Adivinhem qual foi a escolha?

Largar serviço quase 3 horas mais tarde tem lá suas vantagens: clima ameno, ônibus vazio, trânsito fluindo tranqüilamente (coisa cada vez mais rara em BH).

Viro a esquina e...PUTZ!!!

Dois ônibus, que me serviriam muito bem, acabavam de sair do ponto!

Ensaio uma corridinha, mas a pontada no peito me faz lembrar que “estou” num momento bomba-relógio: “infarto ou AVC”.

Desisto. Sorrio. E caminhando vagarosamente, cantarolo: “...tudo posso naquele que me fortalece”.

Coisas do destino: à toa, no ponto de ônibus quase deserto, distraído pelas novas tecnologias (tuitar pelo celular é o “must”), tenho a atenção chamada por uma moça que desembarca de um carro de luxo.

“Doméstica, humpf!”, penso cá com os meus botões.

Preconceito mais besta esse!

Afinal, minha mãe foi diarista por muitos e muitos anos!

Do nada, a moça pergunta se determinado ônibus já havia passado.
Diante da minha desanimadora afirmativa, solta um suspiro e lamenta.

Tento animá-la e logo engatamos um bom bate-papo.

“Mírian”, moça simpática lá de “Berlândia”.

Sugiro que utilize o metrô, por ser bem mais rápido.

“Moço, metrô num é prá mim não. Num gosto desse trem”.

Acho graça no modo simples que expõe o seu temor...

Chega o ônibus e prosseguimos proseando.

Num curto trajeto, de pouco mais de 20 minutos, Mirian expõe o seu drama.

Ateou fogo às roupas e quebrou os “brinquedinhos” do “Senhor Meu Marido” (sim, o moço tinha uma coleção de motos, carrinhos e outros bichos mais!).

Pergunto o motivo de tamanha vilania.

“Foi umazinha aí ! Mandou mensagem no meu celular, dizendo que o Senhor Meu Marido gostava mesmo era de vagabundas como eu”.

Surpreso com a espontaneidade da moça, ergo a sobrancelha, num tom inquisidor.

Prosseguindo o relato do seu drama, descreve o estopim da trama.

Deitada no colo do marido, assistindo TV, o celular do moço começa a vibrar no braço do sofá. O gaiato finge que nem é com ele. Diante da cara de boi-sonso do moço, Mírian pergunta se não vai atender.

“Eu ? Ah, deixa prá lá...Não é nada importante”.

“Bom, se não é, deixa que eu mesma atendo”.
E alcança, sem prévio aviso o insistente telefone.

Gildo (acho que o nome do gaiato é esse) fica azul, roxo, bege, rosa, cor-de-burro-quando-foge e quase tem um treco!

“Quem é fulana ?” (Mírian refere-se à Umazinha)

“Ah, uma amiga que não vejo faz tempo. A gente se encontrou, trocou telefone e tal. Mas está casada” (faz questão de frisar, tentando aliviar a barra).

“Ué, e você não disse a ela que também casou ?”

“Acredita que esqueci ?!”

“Então atende e diz, oras !”

“Deixa prá lá. Depois eu falo”.
E desliga o telefone.

Desde então, Gildo passa a levar o telefone prá tudo que é canto: pro banho, prá pelada aos domingos, enfim, não desgruda um segundo sequer do bendito aparelho.
Isso sem falar que até bloquear o teclado com senha ele bloqueou.

E não é que a tal “amiga” passou a mandar mensagens e mais mensagens a qualquer hora do dia e da noite ?
Nem a madrugada escapou ilesa à sanha avassaladora do desejo da “amiga” em reencontrar Gildo.

A gota d’água veio na tal mensagem do telefone de Mírian, enviada por Umazinha: “...gosta mesmo É de vagabundas como você”.

Escolhe as melhores roupas, coloca no tanque, embebeda em álcool e toca fogo.

O resto ? Atira pela janela “como o Abel fez com a Norminha, lembra?”, diz referindo-se ao Corno-Mor da novela “Caminho das Índias”.

“Próximo alvo: as motos e os carrinhos do colecionador”.

“Nossa ! E com ele, fez alguma coisa ?”, pergunto sobressaltado.

“De jeito nenhum ! Mas que tive vontade de voar no gogó dele, ah, isso eu tive sim”.

Teve até polícia no caso.

Curioso é que o próprio policial militar fez o papel de Delegado, Juiz e sabe-se lá o que mais.

Tratou de mandar o Senhor Marido para a casa da mãe (não, não o mandou à PQP), definiu a partilha dos bens e estabeleceu a separação de corpos.

EU, HEIN ?!

Bom, aconselhei a moça a trocar as fechaduras e procurar ajuda.
Por coincidência, trazia no meu bolso um cartão do “Fale Mulher”, uma espécie de força-tarefa que auxilia mulheres vítimas de violência doméstica.

Mírian exibiu um sorriso franco, o rosto iluminou-se.

“Falei com a pessoa certa !”.

Apenas sorrio, acanhado, mas com a sensação de dever cumprido.

Curioso como numa conversa rápida e informal, as pessoas expoem os seus dramas pessoais.

Talvez a intenção seja mesmo a de desabafar.

Talvez seja um grito de socorro.

Antes de me despedir, aconselho Mírian a não tomar nenhuma decisão com a cabeça quente.

Ela acena, obediente, como uma criança que ouve atentamente um sermão.

Eu, até então um desconhecido, me tornei o Conselheiro daquela moça que, estranhamente, cruzara o meu caminho e confiou a mim o seu drama.

Muito provavelmente, jamais nos encontraremos outra vez.

Dizia um sábio: “Pelas ruas da cidade, pessoas andam, num vai e vem...”

Ah ! Mírian estava voltando da casa de um “grande amigo”, onde ficara por 5 dias.

“Meu amigo não é gay, viu ?”, faz questão de destacar .

Gozado como as pessoas se preocupam com o que vamos pensar a respeito de suas atitudes.

Como eu poderia formar opinião sobre o caráter de alguém, baseado num relato muito breve de uma pessoa que jamais havia visto na vida ?

Sem chance !

Aprendi a não construir uma imagem ou formar opinião sobre outrem, sem que tenha convivido (e muito) com essa pessoa.

É mais ou menos como uma folha em branco: não dá para opinar quando não há nada escrito ou desenhado.
É preciso preenchê-la.
E, ainda assim, é possível apagar o conteúdo e reescrevê-lo.

Pessoas são como folhas de caderno, escritas ou desenhadas.

Sem conhecer o seu conteúdo, não posso dizer se é bom ou ruim.