sexta-feira, 11 de agosto de 2017

PESCARIA



  
PESCARIA

(Luiz Henrique Prieto)



Todas as manhãs, bem cedinho, o pescador pega o seu barco e ruma para alto-mar.
Dentro do barco, além da rede de pesca, há um grande estoque de FÉ e ESPERANÇA.
Ao chegar a determinado local, o pescador lança sua rede ao mar, sem saber ao certo, o que vai pescar.
Tem dia que a pesca é boa.
Tem dia que nem tanto.
Porém, diariamente, o pescador confere a sua rede, efetuando alguns ajustes e reparos.
Ele sabe que, caso a rede não esteja em boas condições, de nada vai adiantar lançá-la, ainda que seja sobre um enorme cardume.
Outro fato importante: ele sabe que, se lançar a rede, repetidas vezes, sobre o mesmo local, mais cedo ou mais tarde, não pescará nada, dada a escassez de recursos.
De pé, em seu barco, equilibrando o corpo frágil, fustigado pelo sol, sabiamente lança a rede bem cuidada a esmo, alcançando a maior distância possível, pois sabe que assim aumentará as suas possibilidades.
Pacientemente aguarda, até que os peixes mordam a isca.
O resultado da pesca vai depender da sabedoria, da habilidade, da paciência e da perseverança.
Claro que vão surgir contratempos!
Mas, se diante das intempéries, o pescador decidir não lançar a sua rede, não haverá pescaria.

quarta-feira, 29 de março de 2017

MENDIGO AFETIVO



(Luiz Henrique Prieto)


Vivo de restos,
Miserável que sou.

Daquilo que os outros descartam.

Ou porque já estão satisfeitos.
Ou porque se cansaram de usar.

Restos de afetos.
Sobras de carinhos.
Farelos de ternura.
Migalhas de amor.

Me sinto usado.
Sujo.
Fedido.
E fodido.

Interesses?
Somente os alheios!

Não se importam em machucar o meu puro e inocente coração!

Pisoteiam.
Estraçalham.

Sapateiam um samba-enredo,
De salto agulha,
Sobre o meu esfarrapado coração

Escarnecem.
Cospem.
Fazem troça do mendigo afetivo.

Que lhes estende os braços,
Na doce ilusão de ser acolhido...

Eu, pobre maltrapilho.
Pedinte de afeto.
Restos e raspas, me interessam.